quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Conseguir amar, você é capaz?

Farei alguns comentários que passam pela minha cabeça em decorrência de alguns fatos que já presenciei, e hoje contarei um caso deste que me refiro…
Estava hoje no final da tarde correndo na avenida de minha cidade, esta avenida está em obras pois possui um rio e a prefeitura resolveu fazer alguns retornos extras para os carros, desta forma estão criando pequenas pontes de uma via a outra da avenida.
Nestes pequenos trechos em obras estão presentes material para a obra, barro e pedras; mas hoje tinha um “enfeite” a mais… tal “enfeite” era uma cadelinha muito magra que dava para ver até seus ossos, mancando com a pata esquerda traseira, possuindo dificuldade para se locomover.
Fiquei assustado e comovido quando eu vi a cena pois a cachorrinha estava tentando atravessar e assim conseguir chegar à calçada.
Por se tratar de uma avenida é nítido que o fluxo de carros e naquela hora era bem alto, mas haviam pausas decorrentes dos semaforos onde assim seria o tempo para a cadelinha realizar a passagem de lado da avenida.
Neste momento que não vinham carros, eu a chamei, porém demonstrou desconfiança e acredito que como já deve ter sofrido maus tratos decorrentes de humanos, ela exitava e voltava até a obra.
Neste momento, enquanto chama a cachorrinha um homem com sua filha e um cachorro de raça, faziam a sua caminhada, seu cachorro era de porte grande e de guarda, sem fucinheira e nada de proteção.
Tal homem falou para mim: - Não, deixa ela lá, se não irá criar confusão para mim por causa do meu cachorro!
Eu simplismente olhei em seus olhos e responde: - Desculpa, mas se a cachorrinha continuar lá, será atropelada… (dando a entender que não me importava com a situação dele pois se ele não aguenta o cachorro de guarda e grande, então que não saia para passear e ainda mais sem fucinheira…)
Ele se deu com os ombros e continuou a caminhada…
Passei neste momento, mais uma vez, a refletir o quanto o ser humano é egoísta e mesquinho.
Porque a possibilidade de gerar um certo transtorno a este homem quanto ao perigo de seu cachorro em puxar a coleira e ir em direção à cadela abandonada é SUPERIOR à vida daquela cachorra acanhada e faminta que estava sofrendo???
Como o “bem” da vida de uma cachorra já idosa que deve ter dado grandes alegrias à sua família antiga, sim, aquela que a abandonou deixando-a sem lar, amor, comida e paz, é inferior ao problema de segurar com mais força uma coleira de um cão de guarda???
Continuei minha caminhada com a situação na cabeça, determinado que alguma coisa eu faria, pelo menos o que estivesse ao meu alcance, no mínimo.
Pensando relembrei de alguns outros fatos relacionados à animais, alguns conhecidos e amigos já tiveram cachorros, outros ainda tem, outros não gostam…
Mas lembro-me de um amigo que teve uma cachorra por anos, uns oito mais ou menos, e teve que mudar de casa, ele morava em uma chácara, porém a cachorra era de porte pequeno, do tamanho de um poodle, e quando mudo para a nova casa disse que a cachorra não se acostumou com o local, e desta forma dôo para o vizinho da chácara…
Não consigo compreender como as pessoas conseguem doar seus bichinhos depois de anos, ou por que simplismente apareceram alguns imprevistos ou eles passam a ficar doentes.
Na verdade acho tal fato um absurdo.
Amigo não se compra, por isso que os melhores cachorros são os de rua.
Podemos analisar o fato onde os cães de rua “residem” junto ao seu dono mendigo, mesmo sem lar, e muitas vezes sem refeição, o amor continua a ser existente lá entre os dois, tal fato é prova que o amor é oriundo de bens ou situação financeira, e sim da sua capacidade de amar e ser amado, de se doar de forma integral, sem requerer nada em troca.
É um amor incondicional, um amor supremo, uma coisa sureal… está além da esfera humana… o homem não consegue amar o ser da sua mesma espécie como um cão consegue amar seu dono.
Um amor que preenche o peito, que te faz viver e acreditar que existem seres que possuem coração, mesmo que estes tenha patas…
Existe aquela frase famosa: “quanto mais conheço o homem, mais eu amo os animais.”, nesta eu adiciono meu comentário: … e desta forma, quanto mais conheço os animais, mais eu os amo incondicionalmente…
Na volta de minha caminhada, passei pelo lugar onde a cachorrinha estava, e lá continuou.
Então tentei novamente uma aproximação dela, porém foi infrutífera.
Fui até o supermercado ali na proximidade do local e comprei ração, água em garrafa e uma lata de patê de carne, pois não haviam latinhas de comida pronta para cães.
Pensei em algum recipiente onde pudesse colocar a ração com o patê de carne e um outro para água, então me dirigi à um café que fica na frente do supermercado, conversei com a atendente e pedi dois potinhos de plástico, daqueles que se leva salada de fruta ou sopa para viagem, ela me informou que eles não podiam dar o pote, nesta hora informei que seria para por ração e água pruma cadelinha que estava faminha e abandonada na rua, mesmo assim, ela olhou para mim e disse: - R$ 0,50 cada pote. Neste momento, peguei duas moedas de cinquenta centavos e entreguei para a funcionária.
Até que ponto chega a mesquinharia do ser humano???
Eu sei que negócios são negócios, mas vidas continuam sendo vidas, o caráter continua sendo caráter e o amor… o amor? Não, este não continua sendo amor… não há espaço para ele… ele passou a se chamar egoístmo, capitalismo, individualismo, arrogância… coisas desse tipo, pelo menos para muitas pessoas…
Algumas continuam a entender e viver o amor, e buscar por um mundo melhor.. mas outras, não têm salvação.
Então peguei os potes e voltei à avenida, ao local onde a cachorrinha continuava deitada e encolhida.
Comecei a chegar perto, abaixei mais ou menos a uns dois metros de distância, porém ela levantou e tomou maior espaçamento entre a gente.
Eu a olhei nos olhos, olhos estes que estavam tristes, solitários e com medo…
Comei a chamá-la, com um tom suave de voz, mas ela permaneceu distante e com os rabos entre as pernas, com todo seu corpo magérrimo encolhido e em pé.
Abri a sacola de ração com o auxílio da chave do carro, despositei num dos potes e no outro coloquei a água, no pote de ração eu abri o patê de carne e espalhei com o dedo.
O patê possuia cheiro bom, e sua forma era muito mole, misturei bem com a ração, e tentei uma outra aproximação da cadelinha, porém se resultou novamente infrutífera.
Diante isso, resolvi deixar os potes onde ela estava deitada quando cheguei, olhei nos olhos dela e voltei para a outra calçada, com muita dor no coração, chorando internamente.
Atravessei a rua e reparei que ela foi até o pote e começou a consumir, mas não consegui ver se era a água ou a comida.
Uma garota que estava caminhanado se aproximou de mim e disse: - Você tava dando comida pra ela?
Então respondi que sim e também balancei a cabeça de forma afirmativa.
Após, ela disse: - Legal, heim!
Neste ato, continuei a caminhar mais algusn metros e parei na direção da cadelinha e fiquei observando-a comendo e pensando… Pensando que ainda existem pessoas com coração e que pensam da forma “Legal, heim” mas que também existem muitos que não sentem nada quando vêm aquela cena, ou então que não fazem nada.
Não sou uma pessoa que rezo muito, não tenho esse costume, mas acredito em um Ser supremo, um Ser que sabe o que faz, que observa seu mundo e que é justo.
Mas não entendo o motivo pelo qual àquela cadelinha estava sofrendo e neste momento continua abandonada e sozinha… um ser tão indefeso, belo, amável e puro, não merece tratamento assim.
Parto muito para o lado espírita e sei que cada coisa tem seu valor em nossa vida, seu fundamento, mas às vezes chego a contestar isso, pois a cadelinha não buscou ser abandonada, e isso foi uma intervenção de terceiros, terceiros este que na minha opnião me dão nojo.
Sim, nojo… tenho nojo de viver em mundo desta forma, tão triste, solitário, vazio, sem amor, sem ética nem moral…
Este foi um fato triste em meu dia, mas tenho fé que, um dia, mesmo que não se nessa vida… eu poderei fazer algo para melhorar esta situação.
Gostaria de poder ensinar ao homem como se deve amar com o coração, de forma mais bela e limpa… e assim também poder e conseguir receber um amor tão belo que é o de um cãozinho.
Lágrimas caem dos meus olhos, molham meu rosto, e cortam meu coração… Porque as coisas são assim? Porque tudo não pode ser diferente e melhor?
Gostaria de descer desse mundo, não sei se há vontade em viver e continuar a presenciar fatos desta forma, mas creio que o bom em viver e ter força e atividade é que podemos fazer uma mudança, e mudança começa de nós.
Um pequeno ato se tornará em algo gigantesco, se feito com amor. Esta é a arte de amar.
E um dia, eu farei a diferença, para vários cães nesta situação… eles merecem…

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